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B-LIAR, UM MENTIROSO NA RIO 2016 - por Eliakim Araujo em Miami
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Jefferson - 3/2/2010 11:30:59 SC
01571 JP

B-LIAR, UM MENTIROSO NA RIO 2016
por Eliakim Araujo em Miami
No noticiário de sábado, ficamos sabendo que o trio parada dura da Olimpíada Rio 2016 estava em Londres no final da semana. Sergio Cabral, Artur Nuzman e Orlando Silva, cada um em sua respectiva área de atuação, imbuídos do mais “nobre espírito público”, já estão trabalhando em prol do sucesso dos nossos jogos e, para isso, um pouco de turismo na capital londrina às custas do dinheiro público não faz mal a ninguém.
O pretexto da viagem era o de conhecer a estrutura olímpica montada pela Grã-Bretanha para hospedar os jogos de 2012. Saíram encantados com o que viram e pretendem copiar o modelo londrino no Rio. É bem verdade que faltam ainda dois anos para os jogos londrinos, mas mesmo antes de começar, nossos “especialistas” já consideram magnifico o trabalho desenvolvido pelo comitê britânico.
Saíram tão impressionados que correram no sábado à casa do ex-primeiro-ministro Toni Blair e o contrataram como “consultor” do comitê que vai organizar os jogos do Rio. E Blair, que anda mais sujo que pau de galinheiro por conta da embrulhada em que meteu o país ao aliar-se a Bush na invasão do Iraque, está mais feliz que pinto no lixo, pois vem uma delegação estrangeira, de um país que é a nova sensação mundial, e o resgata do ostracismo em que se encontra para servir como “consultor” de um comitê olímpico.
Mas isso não é o mais importante na notícia. Duro é saber que contratamos como “consultor” um político que está sendo investigado por sua atuação no episódio da invasão ilegal do Iraque. Na sexta-feira, véspera do encontro com o trio brasileiro, quando ganhou uma camisa da seleção canarinho com o nome dele, Blair foi sabatinado durante seis horas pelos membros de uma comissão independente, nomeada pelo primeiro-ministro Gordon Brown, que está tentando clarear os motivos que levaram a Grã-Bretanha a entrar no conflito.
O objetivo filosófico da comissão, presidida por Sir John Chilcot, não é o de estabelecer culpa ou determinar responsabilidade civil ou criminal, apenas "descobrir os erros cometidos para que não se repitam no futuro". Mas Blair não sairá limpo dessa história. Sua personalidade belicista e sua submissão aos caprichos de Bush e seus acólitos é bem definida pelo respeitado jornalista inglês William Rees-Mog, do Times de Londres: “Blair foi como um trator que nos levou conduziu à guerra. Além de Churchill, nenhum líder foi tão determinado em impor sua própria vontade quanto Blair, mas ele errou fatalmente”.
Toni Blair declarou guerra a um país baseado num relatório falso sobre armas de destruição em massa que não existiam e ignorou a decisão do Conselho de Segurança da ONU contrária à invasão do país de Saddam. Pode não acontecer nada a Blair, do ponto de vista jurídico/criminal, mas a história já o condenou ao papel de vilão, como se lia nos cartazes que os manifestantes carregavam na sexta-feira: “assassino” e “B-liar” (Blair mentiroso).
Este é um pequeno perfil do homem que vai dar “consultas” ao nosso comitê olímpico e receber um bom salário para isso. Ele vai ao Brasil em março para assinar o contrato. Ainda há tempo, portanto, de se evitar a presença incômoda desse mentiroso em nosso país.
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