PRIVAÇÕES DO CORPO E PROVAÇÕES DA ALMA - Emmanuel

Jefferson Severino - 10/08/2018 SC 01571 JP

PRIVAÇÕES DO CORPO E PROVAÇÕES DA ALMA
Emmanuel

 
O homem, não raro, nas horas difíceis, lança mão de recursos extremos e, por vezes, ilógicos, para diminuir o sofrimento próprio ou alheio, qual acontece nas provas desesperadoras, no sentido de suprimir agonias morais ou curar doenças insidiosas.
 
Daí nasce o contra senso dos ofícios religiosos remunerados de que se alastram antigos e piedosos enganos, como sejam:
 
- a recitação mecânica de fórmulas cabalísticas;
 
- os sacrifícios inúteis visando prioridade e concessões;
 
- as promessas esdrúxulas;
 
- os votos inoportunos;
 
- as penitências estranhas;
 
- os auto-castigos em que a vaidade leva o rótulo da fé; os jejuns e as mortificações a expressarem suicídios parciais;
 
- o uso de amuletos;
 
- o apego a talismãs;
 
- o culto improdutivo do remorso sem qualquer esforço de corrigenda na restauração do caminho errado...
 
Contudo, ao espírita-cristão compete despojar-se de semelhantes conceitos acerca do Criador e da Criação, cristalizados na mente humana através de numerosas reencarnações.
 
Para nós, não mais existe a crença cega.
 
Em razão disso, não mais nos acomodamos à idéia do milagre como sendo prerrogativa em favor de alguém sem merecimento qualquer.
 
De igual modo, urge compreender os mecanismos das Leis Divinas, dispensando-se, ante os lances atormentados da existência terrestre, toda a atitude ilusória ou espetacular.
 
Omissão não resolve.
 
E em matéria de comportamento moral a renovação da vida, abstenção do serviço no bem de todos, é deserção vestida de alegações simplesmente acomodatícias, dentro da qual o crente não apenas foge das responsabilidades que lhe cabem, como também ainda exige presunçosamente que Deus se transforme em escravo de suas extravagâncias.
 
Situa-nos a Doutrina Espírita diante de nós mesmos.
 
Estamos espiritualmente hoje onde nos colocamos ontem.
 
Respiraremos amanhã no lugar para onde nos dirigimos.
 
Usemos a oração para compreender as nossas necessidades, solucionando-as à luz do trabalho sem o propósito de ilaquear os poderes divinos.
 
A Lei é equânime, justa, insubornável.
 
A criatura, - gota igual às demais no oceano imenso da humanidade Universal, - não é cliente de privilégios.
 
Eis porque, ao invés de procurar, espontaneamente, penitências improdutivas para nós, é imperioso buscar voluntariamente o auxílio eficiente aos semelhantes.
 
Espiritismo é sublime manancial de energia espiritual.
 
Haurindo forças, acatemos sem revolta aquilo que a Vida nos oferece, trazendo paz na consciência e entendimento no coração.
 
O mundo atual prescinde de quantos se transformam em ascetas e eremitas de qualquer condição.
 
Até a penalogia moderna procura imprimir utilidade às horas dos presidiários, valorizando-lhes a reeducação em colônias agrícolas e em outras organizações coletivas, à busca de regeneração moral e social.
 
E a própria psiquiatria, presentemente, institui a laborterapia para que os enfermos da alma se recuperem, pela atividade edificante.
 
Para o espírita, portanto, a Vida e o Universo surgem ajustados à lógica e esclarecidos na verdade.
 
Apelemos para os recursos da prece, a fim de que sejamos sustentados em nossos próprios deveres, reconhecendo, porém, que Deus não é vendedor de graças ou doador de obséquios, em regime de exceção, e sim o Criador Incriado, perfeito em todos os seus atributos de justiça e de amor.
 
Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Opinião Espírita
 
 
 




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