"MAMÃE, NENEM QUÉ COLO" por Humberto Ellery

Jefferson Severino - 03/08/2018 SC 01571 JP

"MAMÃE, NENEM QUÉ COLO"
por Humberto Ellery

                                                                
"O Estado é a grande ficção da qual todo mundo se esforça para viver às custas de todo mundo". Frederic Bastiat
 
Meus caros, quando o ser humano finalmente ficou erectus e passou a andar sobre apenas duas pernas, e como nessa posição a pélvis da mãe não estava preparada para suportar o peso de um feto, a gestação humana foi muito abreviada, o que nos faz nascer inapelavelmente dependentes do colinho da mamãe. Talvez resida nesse fato o sonho, imanente a todos nós, de transferir a responsabilidade pela nossa sobrevivência ao Estado, ou a outro ser humano mais poderoso e protetor que nos dê o aconchego e a proteção de um colinho.
 
Suponho que daí surgiram os monarcas absolutistas, a escravidão, e modernamente o Welfare State, o Estado Provedor, ou Estado do Bem Estar Social. No capítulo 16 do Êxodo vemos os hebreus no deserto se queixando a Moisés e Aarão, que os libertaram da servidão do Faraó e os tiraram do Egito, pois¨lá nos sentávamos ao redor das panelas de carne e comíamos pão à vontade¨; e olhem que estavam a caminho de Canaã, a terra prometida a eles pelo seu próprio Deus, ¨terra onde mana leite e mel¨ (Deuteronômio 26:9), enquanto os ¨egípcios nos maltrataram e nos impuseram uma dura servidão¨(Deuteronômio 26:8). Dá pra entender a natureza humana?
 
Modernamente a Democracia está trazendo as monarquias mais para perto do povo, ficando a chefia do Estado de maneira quase simbólica com os monarcas, e a gestão do Estado com a classe política. Enquanto as casas reais mais antigas e consolidadas vão assim se modernizando, estados mais jovens têm optado por governos totalmente eleitos pelo povo, quer sejam presidencialistas, quer parlamentaristas. Surgem nesse quadro grandes estadistas, mas infelizmente farsantes populistas prometendo a todos o céu na terra, onde ¨farão correr leite e mel¨. E a plebe ignara os segue como penitentes em busca da salvação.
 
Apareceram assim os grandes ¨Salvadores de Pátria¨ como Hitler, Mussolini, na vizinha Argentina Perón, e, aqui no Brasil, Vargas, Jânio, Collor e Lula. (Recomendo ¨Ponerologia-Psicopatas no Poder¨ do psiquiatra polonês Andrzej Lobaczewski). A desesperança brasileira, face à formidável crise pós-petismo, atingiu um tal grau de paroxismo, que ao primeiro aventureiro que se apresentou como a antítese do lulopetismo, o próprio antípoda do Lula, acorreu pressurosa e feliz a seguí-lo, a aconchegar-se no seu colinho, sem uma simples análise da exequibilidade de suas promessas. Sem ao menos observar que o cidadão é apenas a outra face de uma mesma moeda populista e assumidamente incompetente (mas que só vai nomear gente qualificada; então tá!), sem se dar conta de que, caso seja eleito  (já no 1º turno como acreditam) entraremos num movimento pendular, desde a extrema esquerda até a extrema direita, nos subtraindo a chance de atingirmos o equilíbrio do centro.
 
Que Dios se apiade de nosotros!
 
Humberto Ellery
hg.ellery@hotmail.com
 




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