MACHISMO OU ESTUPIDEZ ? por Humberto Helery

Jefferson Severino - 24/06/2018 SC 01571 JP

MACHISMO OU ESTUPIDEZ ?
por Humberto Helery
 

 

Meus caros, a cena de alguns brasileiros idiotas e embriagados, aproveitando a simpatia e até uma certa ingenuidade de jovens russas, e as¨ensinando¨a dizer palavras de baixíssimo calão em português me deixou indignado, como de resto a todo o Brasil.
 
Lembrei de uma cena semelhante, mas completamente involuntária, que presenciei, e até participei em Londres. Estávamos eu e um grande amigo, médico do navio em que viajávamos, Dr. Lamartine de Andrade Lima, homem culto, inteligentíssimo, membro do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, sua terra natal. Um dos ¨papos¨mais agradáveis que conheci, por seu brilho intelectual e humor, sempre pronto a fazer um comentário jocoso e oportuno sobre qualquer fato do dia a dia.
 
Estávamos em visita ao Museu Madame Tussaud, admirando os belíssimos trabalhos em cera, quando a efervescente e galhofeira verve do Lalá (como nós o chamávamos) resolveu fazer uma brincadeira com os visitantes do Museu. O Lalá é um homem corpulento, alto, um pouco obeso e muito parecido com o cineasta Alfred Hitchcock.
 
Então, na curva de um dos corredores do museu ele parou, e quase encostado na parede assumiu uma pose dramática e se pôs estático, quase sem respirar, como uma das figuras expostas. A minha parte na brincadeira foi ficar olhando para ele e examinando de perto sua figura. Fazíamos ambos um enorme esforço para não sorrir. Como era de se esperar começou a juntar gente, procurando na parede uma plaquinha que o identificasse, e admirando a perfeição da estátua, que elogiavam (¨parece até que está vivo¨), e perguntavam entre si quem seria aquele personagem.
 
De repente alguém falou, em inglês, ¨Eu suponho que é o Mister Hitchcock¨. Foi o quanto bastou para que explodíssemos numa gargalhada que assustou os admiradores da estátua que parecia viva. As pessoas, passado o susto, reagiram com simpatia, sorrindo e fazendo comentários amáveis ao trote que passáramos neles.
 
A seguir vimos uma estátua de Marilyn Monroe que nos decepcionou. Como fans da grande atriz esperávamos uma estátua que mostrasse toda sua exuberância e sensualidade, como no filme ¨O Pecado Mora ao Lado¨ (The Seven Year Itch), no entanto representaram-na como no filme ¨Os Desajustados¨(The Misfits), seu último filme, quando a estrela , já próximo à sua morte, dependente de calmantes, era apenas uma sombra esmaecida daquela deusa cheia de sex appeal que esperávamos encontrar. 
 
Em volta da estátua estavam algumas famílias, com diversas crianças,  que percebi serem franceses, mas o Lalá, distraído, não percebeu. Então, com aquele descuido com palavras deseducadas quando estamos no exterior, e como estávamos na Inglaterra, o Lalá me olhou e comentou: ¨Que merda¨, as crianças francesas imediatamente se voltaram para ele com ar de desaprovação e espanto, pois as palavras são quase iguais, em francês é ¨merde¨. Eu apenas disse: ¨Lalá, são franceses¨. O Lalá, então, morto de vergonha, e fluente em francês, se desmanchou em desculpas.
 
Foi um custo, depois, tirá-lo do estado de tristeza que o fazia repetir:¨Que vergonha, Ellery, como é que eu dou uma dessas¨.
 
Quanta diferença de um homem digno para um bando de imbecis!
 
Humberto Ellery 
hg.ellery@hotmail.com




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