O VAMPIRO DA SAPUCAÍ - por Humberto Ellery

Jefferson Severino - 03/05/2018 SC 01571 JP

O VAMPIRO DA SAPUCAÍ
por Humberto Ellery

 
Meus caros, fosse eu poeta e faria uma Canção do Amor Demais ao meu querido Rio de Janeiro. Morei na rua mais charmosa do mundo, Nascimento Silva, nº 4, uma quadra antes do nº 107, onde moraram o Tom Jobim (e sua primeira esposa Tereza Hermanny), e também a Elizeth e onde se reuniam Vinicius, Toquinho e toda a turma da MPB (quando ainda tínhamos MPB, agora ¨vai, malandra¨).
 
Nessa época nasceu meu filho mais velho Fernando (no Hospital N. S. da Glória, Tijuca). Da janela do meu apartamento também se via um cantinho de céu e o Redentor (que lindo!). Ipanema era só felicidade, e como diria o Roberto Carlos, o que foi felicidade me mata agora de saudade. 
 
No entanto, observando a cena política, o meu amor não dói em paz, nunca imaginei a que ponto os governos turvariam esse Rio de amor que se perdeu. Meu amigo me resta uma certeza é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o Amor. 
 
Mas foram os próprios cariocas que elegeram, seguidamente, primeiro o Brizola (duas vezes), cuja ¨política de segurança¨, sob o lema ¨Polícia não sobe o morro¨,entregou todo o imenso território dos morros cariocas, com toda sua poesia, nas mãos dos traficantes, das milícias, do crime organizado (e do desorganizado também). Em seguida, tendo como balizamento a incompetência e a desonestidade, elegeram marcelos, moreiras, beneditas, garotinhos e garotinhas e culminaram com o campeão Sérgio ¨Acho Que Exagerei¨Cabral. Então os cariocas caíram no abismo. Abismo que cavaram com seus pés.
 
E o meu Rio de janeiro beijou a lona! A imagem mais forte e reveladora da submissão à bandidagem quem nos deu foi o topetudo Ministro Luiz Fux, quando, sem o mínimo respeito à Toga, ajoelhou-se ao chão e, subserviente, qual um sabujo, beijou os pés da Rainha Adriana Anselmo Cabral. Asqueroso!
 
Mas o que fazer para tentar salvar o Rio da insolvência? O Presidente Temer, arrostando a ciumeira dos outros governadores, convocou o Governador Pezão (isso lá é nome de Governador!) para tentar equacionar seus enormes problemas financeiros. Promoveu um alongamento da sua dívida com a União, com um abrandamento razoável do seu perfil e prazos de carência que aliviassem o fluxo de caixa, ainda autorizou empréstimos oficiais condicionados a desestatizações (privatização da CEDAE - RJ), e com a lenta recuperação da Petrobras os royalties foram aos poucos voltando aos cofres do Estado.
 
Com essa transfusão o paciente, que se julgava terminal, começou a sair do coma. Mas os cariocas um dia afinal têm direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia que se chama Carnaval. E, na Marquês de Sapucaí foram sambar. Como a economia do País já começava a se recuperar,  a renda média e a massa salarial já seguiam uma rota de crescimento, o Rio bateu recordes de visitantes durante o Carnaval, para alegria do trade turístico. E a avenida lotou de foliões e de alegria! 
 
De repente, no meio da alegria, assomou o Sambódromo uma figura representando o Presidente Temer caracterizado como um vampiro. A arquibancada tremeu, quase veio abaixo aos gritos ritmados de ¨Fora Temer, Fora Temer, Fora Temer¨. Eu fiquei pasmo, os verdadeiros vampiros: Brizola, Marcelo, Moreira, Benedita, o casal Garotinho, e, principalmente o Sérgio Cabral, que deixaram o paciente exangue, não foram citados, e o Presidente Temer, que providenciou uma salvadora transfusão é o vampiro?
 
Meus irmãos cariocas desculpem-me, por mais que eu tente não consigo decifrá-los. Devorem-me! 
 
Humberto Ellery
hg.ellery@hotmail.com
 
 




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