O HOMEM ANTE A VIDA - Emmanuel

Jefferson Severino - 11/04/2018 SC 01571 JP

O HOMEM ANTE A VIDA
Emmanuel

 

No crepúsculo da civilização em que rumamos para a alvorada de novos milênios, o homem que amadureceu o raciocínio supera as fronteiras da inteligência comum e acorda, dentro de si mesmo, com interrogativas que lhe incendeiam o coração.
 
Quem somos?
 
Donde viemos?
 
Onde a estação de nossos destinos?
 
À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros estilhaços dos ídolos mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço lhe assomam à alma enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos do ser, qual braseiro vivo do ideal, sob a espessa camada de cinzas do desencanto.
 
Recorre à sabedoria e examina o microcosmo em que sonha.
 
Reconhece a estreiteza do círculo em que respira.
 
Observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico em que se desenvolve.
 
Descobre que o Sol, sustentáculo de sua apagada residência planetária, tem um volume de 1.300.000 vezes maior que o dela.
 
Aprende que a Lua, insignificante satélite do seu domicílio, dista mais de 380.000 quilômetros do mundo que lhe serve de berço.
 
Os Planetas vizinhos evolucionam muito longe, no espaço imenso.
 
Dentre eles, destaca-se Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação.
 
Alongando as perquirições, além do nosso Sol, analisa outros centros de vida.
 
Sírius ofusca-lhe a grandeza.
 
Pólux, a imponente estrela dos Gêmea, eclipsa-o em majestade.
 
Capela é 5.800 vezes maior.
 
Antares apresenta volume superior.
 
Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao do Sol.
 
Deslumbrado, apercebe-se de que não existe vácuo, de que a vida é patrimônio da gota d’água, tanto quanto é a essência dos incomensuráveis sistemas siderais, e, assombrado ante o esplendor do Universo, o homem que empreende a laboriosa tarefa do descobrimento de si mesmo volta-se para o chão a que se imanta e pede ao amor que responda à soberania cósmica, dentro da mesma nota de grandeza, todavia, o amor no ambiente em que ele vive é ainda qual milagrosa em tenro desabrochar.
 
Confinado ao reduzido agrupamento consanguíneo a que se ajusta ou compondo a equipe de interesses passageiros a que provisoriamente se enquadra, sofre a inquietação do ciúme, da cobiça, do egoísmo, da dor.
 
Não sabe dar sem receber, não consegue ajudar sem reclamar e, criando o choque da exigência pra os outros, recolhe dos outros os choques sempre renovados da incompreensão e da discórdia, com raras possibilidades de auxiliar e auxiliar-se.
 
Viu a Majestade Divina nos Céus e identifica em si mesmo a pobreza infinita da Terra.
 
Tem o cérebro inflamado de glória e o coração invadido de sombra.
 
Orgulha-se, ante os espetáculos magnificentes do Alto e padece a miséria de baixo.
 
Deseja comunicar aos outros quanto apreendeu e sentiu na contemplação da vida ilimitada, mas não encontra ouvidos que o entendam.
 
Repara que o Amor, na Terra, é ainda a alegria dos oásis fechados.
 
E, partindo os elos que o prendem à estreita família do mundo, o homem que desperta, para a grandeza da Criação, deambula na Terra, à maneira do viajante incompreendido e desajustado, peregrino sem pátria e sem lar, a sentir-se grão infinitesimal de poeira nos Domínios Celestiais.
 
Nesse homem, porém, alarga-se a acústica da alma e, embora os sofrimentos que o afligem, é sobre ele que as Inteligências Superiores estão edificando os fundamentos espirituais de Nova Humanidade.
 
Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Roteiro 
 
 




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