SÉRGIO MORO NÃO PRENDEU LULA, MAS CONDENOU O STF JUNTO COM ELE

Jefferson Severino - 09/04/2018 SC 01571 JP

SÉRGIO MORO NÃO PRENDEU LULA, MAS CONDENOU O STF JUNTO COM ELE
 
 
Sérgio Moro não prendeu Lula, mas condenou o STF junto com ele há 2 anos e 1 mês, dia em que Sérgio Moro ordenou a condução coercitiva de Lula, às pessoas se perguntam: porque não prendeu de uma vez? 
 
Lula estaria solto se Moro o tivesse prendido naquele dia. Um imediato habeas corpus teria sido concedido em velocidade relâmpago, e não faltariam ministros do STJ e do STF para concedê-lo. Diria até que, se for possível, o habeas corpus levaria o jamegão de uma dúzia de graúdos dispostos a não permitir que Lula precisasse usar o vaso sanitário da cadeia. 
 
Uma das maiores virtudes de Sérgio Moro, entre tantas, é usar a inteligência, até mesmo no momento de quebrar as regras, como fez com a divulgação da interceptação do telefonema de Dilma para Lula. Naquele dia, subvertendo o usual, mas, ao mesmo tempo se amparando na lei (que afirma que é obrigação de um juiz (e penso que se estende a funcionários públicos em geral) denunciar o cometimento de um crime, sob o risco de ser processado por prevaricação), Moro expôs Lula, Dilma e um conluio de autoridades que estavam fazendo vista grossa para a obstrução de justiça representava a nomeação de Lula.
 
No dia da divulgação do telefonema, Sérgio Moro deu um nó na república.
 
Fosse um jogo de xadrez teria sido um xeque de rainha e bispo.
 
Imaginem vocês o que Sérgio Moro sabe.
 
Imaginem o que já ouviu de delatores, o que já viu em provas, a profundidade que conhece os crimes e os sistemas criminosos, e, principalmente, ele sabe nomes de todos os envolvidos, de todos os escalões, de todas as esferas do poder.
 
Naquele bendito dia, em que expôs a gravação de Lula e Dilma, Moro colocou a república de joelhos, acendendo a luz vermelha na cabeça de cada envolvido com a corrupção revelada pela Operação Lava Jato. 
 
Sérgio Moro não prendeu Lula para que Lula estivesse exatamente na situação que está. E não só ele. Ao deixar Lula solto Moro condenou os ministros do STJ e STF a tirar suas máscaras, e assumir frontalmente de que lado estão.
 
Não por acaso, o ministro Gilmar Mendes tem Sérgio Moro como desafeto. Seu desejo era que Moro tivesse prendido Lula para que o STF surgisse como salvador de um mártir.
 
Mas, como Lula não foi preso, o juiz de Curitiba deixou para o STF a responsabilidade de dizer ao Brasil o que fazer com ele, e assim deixar claro que existem três justiças no Brasil, a da população comum, a dos ricos e a dos corruptos, para os quais muda-se até a jurisprudência do país para atendê-los.
 
A última sessão do STF, na qual foi aceito o exame do habeas corpus de Lula e concedida a liminar para que ele não seja preso até o dia 4 de abril, foi o maior escândalo que se tem notícia na história do judiciário brasileiro. Um conluio de pessoas claramente mal intencionadas usando suas togas para legitimar o que não tem jeito de ser legítimo, passando por cima do direito de milhares de pessoas que aguardam anos pela oportunidade de terem seu habeas corpus julgados.
 
Lula não é diferente de nenhum cidadão, não se iludam. Ele é diferente para os advogados, políticos e magistrados que o protegem, apenas porque eles não têm como se proteger de Lula se ele for preso e resolver contar ao juiz Sérgio Moro o resto da história que ele conhece. É disso que todo mundo tem medo.
 
Sergio Moro não mudou a maneira de fazer justiça nesse país. Ele começou a fazer justiça, o que nunca havia sido feito antes. E mais do que começar, Moro fez a justiça usando a inteligência e não a autoridade. Juntou cada pequeno pedaço do quebra-cabeça que ele já conhece por inteiro e que nós não devemos saber direito nem um terço.
 
Para quem conhece de xadrez, um xeque de rainha com bispo já é um problemão a ser resolvido pelo adversário. Mas isso foi lá atrás. Esconde o Rei daqui, esconde dali, e o xeque-mate sendo armado com a rainha, bispos, torres e cavalos. Faltam poucos e óbvios movimentos para acabar com o Rei adversário, o que só não vai acontecer numa única hipótese, derrubando o tabuleiro.
 
Lula foi condenado há 12 anos e 1 mês pelo juiz Sérgio Moro. 
 
Já para o STF a pena foi perpétua.
 
 
 




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