LULA NÃO É UM SER HUMANO, MAS UMA “IDEIA”. QUAL? por Rodrigo Constantino

Jefferson Severino - 24/02/2018 SC 01571 JP

LULA NÃO É UM SER HUMANO, MAS UMA “IDEIA”. QUAL?
por Rodrigo Constantino 
 
 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou na hipótese de sua prisão na noite desta quinta-feira (22) durante ato pelo 38 aniversário do PT. Com olhos cheios de lágrimas “derramadas após citar a morte de amigos e petistas”, Lula disse que seus adversários buscam uma forma de calá-lo. “Qual é o jeito? Quem sabe, tentar me prender. E vão ter outra surpresa, porque eles poderão prender apenas a minha carne carcomida, mas não prenderão as minhas ideias.” O ex-presidente voltou a dizer que “Lula não é um ser humano”, mas uma ideia que o PT ajudou a criar.
 
Em que pese o arroubo megalomaníaco em seu momento “V de Vingança”, de certa forma Lula tem razão. Ele é mais do que aquele indivíduo de carne e osso, sem um dedo mindinho, enfraquecido com sua voz rouca e língua presa. Existe o Lula mitológico, a ideia criada pelos “intelectuais” do PT e outros, sempre de esquerda. Quando se diz “Lula”, pode-se pensar no sujeito arrogante e baixinho, mas pode se pensar também em toda uma ideologia, da qual Lula é um símbolo. E qual seria essa “ideia” por trás do nome, exatamente?
 
São vários componentes, inúmeras peças que formam o quebra-cabeça. Há uma forte pitada de Rousseau, por exemplo. Lula é o “bom selvagem” incorporado, o “homem simples”, do “povo”, com a mãe que nasceu analfabeta (as demais nasceram já com Ph.D., presume-se), o sujeito humilde que será transformado em redentor, na luta contra as “elites”. Lula é certamente essa ideia.
 
É também a ideia revolucionária socialista, que prega a concentração de poder no estado, que abraça tiranias opressoras desde que faça tudo em nome da igualdade. Lula é ainda a ideia marxista, de que os “nobres” fins justificam quaisquer meios, de que moralidade é afetação burguesa, de que ética é coisa de pequeno-burguês. Lula é a ideia do duplo padrão seletivo, da hipocrisia, do peso que produz medidas diferentes dependendo de quem está sendo julgado. É a ideia de que o rico é rico porque o pobre é pobre, como se economia fosse um jogo de soma zero.
 
Há também a ideia de que a principal revolução não é mais pelas armas, como queria Lenin, mas pela cultura, pelo aparelhamento das instituições. Lula é a ideia de Gramsci. Mas é, também, a ideia parida da Escola de Frankfurt, na era pós-moderna, de que verdade não existe, de que todo o sistema é opressor e que, portanto, ataca-lo é uma forma de justiça. Lula é a ideia do politicamente correto, da marcha das “minorias oprimidas”, da “revolução das vítimas”. Criticar Lula é ser preconceituoso por essa ideia.
 
O patrimonialismo é outra ideia que tem em Lula seu ícone máximo. Não existe “coisa pública”, apenas cosa nostra, como nas máfias. O estado é um instrumento de poder e enriquecimento dos que chegam lá, nada mais. A ideia de que o estado existe para que essa cúpula possa dele se servir, e não para servir o povo, tem em Lula um grande representante. A Odebrecht que o diga.
 
Lula é a ideia da “malandragem” em forma de gente. O jeitinho brasileiro é Lula na veia. A ideia de que só importa “se dar bem”, custe o que custar, mesmo que mentindo, roubando, enganando, isso é Lula. A ideia do cinismo encontra em Lula um exemplar humano perfeito. Diria até, com o respaldo de alguns psiquiatras, que a sociopatia é a ideia por trás de Lula.
 
Como podemos ver, Lula tem razão: ele é mais do que aquele corpo velho e cansado, “carcomido”. Ele é uma ideia, criada não só pelos “intelectuais” do PT, mas por tantos outros. E é isso tudo junto e misturado. Por isso que Lula pode ser preso, pode até morrer, mas o que ele representa continuará. Sempre haverá alguém cínico, mentiroso, hipócrita, ambicioso, corrupto o suficiente para ocupar seu lugar. A “casca” pode ser trocada, como as cobras fazem com sua pele, mas a essência vive: uma jararaca em forma humana.
 
Por isso a luta contra esse tipo, contra essas ideias, jamais acabará. Eles são muitos. Eles são Legião. São como os Smiths da “Matrix”. A guerra mais importante é contra as ideias, não o homem. O que não quer dizer, claro, que o indivíduo da vez que resolveu incorporar todas essas ideias perversas não deva ser combatido com veemência. Deve, sim. Lula tem que ser preso, justamente para ficar claro que tais ideias não compensam, que o crime mascarado de revolução social ainda é crime, que a imoralidade tem um custo alto.
 
Mas prender Lula é apenas o começo. Derrotar essas ideias nefastas que ele tão bem representa é a verdadeira batalha!
 
Rodrigo Constantino - Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.
 




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