AUXILIO-MORADIA E OUTROS PRIVILÉGIOS - por Humberto Ellery

Jefferson Severino - 11/02/2018 SC 01571 JP

AUXILIO-MORADIA E OUTROS PRIVILÉGIOS 
por Humberto Ellery

 

Meus caros, a propósito da discussão sobre o Auxílio-Moradia pago aos juízes e procuradores, mesmo residindo no município em que exercem suas funções, tendo casa própria, inclusive em duplicidade no caso dos cônjuges terem também esse ¨direito¨, lembrei de um fato semelhante ocorrido com meu pai.
 
Para quem não me conhece, meu pai (infelizmente já falecido em 1993) o General Humberto Ellery,  foi Vice Governador do Estado do Ceará de 1966 a 1971, quando do governo de nosso estimado amigo Plácido Castelo.
 
No início dos anos noventa, acompanhado de minha mãe Ilay, o casal seguiu para Curitiba , onde eu residia, para um breve período de convivência com o filho, a nora e os netos.
 
Um belo dia, enquanto conversávamos, recebemos um telefonema de Fortaleza, era minha irmã Angelina, que ¨gerenciava¨sua vida financeira, pedindo que transferisse alguma quantia para fazer uns pagamentos. Para quem vivia com a aposentadoria de General de Brigada ¨o velho¨tinha uma vida financeira muito controlada, pois ao contrário do que muita gente pensa, a aposentadoria dos militares não dá pra fazer extravagâncias.
 
Perguntei então a ele por que não tinha requerido a ¨aposentadoria¨decorrente de ter exercido a governadoria do estado. Respondeu-me com uma pergunta: ¨Meu filho, você acha que eu teria direito ao salário de governador por ter exercido a função por tão pouco tempo?¨ Respondi que o direito existia visto que era assegurado por lei. Não foi surpresa pra mim sua resposta, eu já esperava que ele retrucaria dizendo que podia até ser legal, mas não era moral. Para reforçar minha argumentação lembrei do ex-Governador Coronel Adauto Bezerra, nosso amigo, inclusive ex-aluno do meu pai quando Cadete.
 
O Coronel Adauto é um homem riquíssimo, dono de banco, entre outras atividades empresariais. Falei então: ¨Pai, todo os ex-Governadores recebem, inclusive o Coronel Adauto¨. Gozador como era meu pai fez um ar compungido e, suspirando, encerrou o papo dizendo ¨É. Mas o Adauto precisa¨. Caímos todos na gargalhada, e até hoje eu rio quando me lembro desse fato.




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