A MÁ E VELHA TÁTICA DA MANIPULAÇÃO

Jefferson Severino - 30/01/2018 SC 01571 JP

A MÁ E VELHA TÁTICA DA MANIPULAÇÃO
 

 

Em 1931 o exército japonês encenou um evento que ficou conhecido como “Incidente de Mukden”, como pretexto para a invasão do nordeste da China, a região denominada de Manchuria. O exército japonês explodiu uma ferrovia e colocou a culpa em dissidentes chineses. Conseguiram o pretexto que precisavam para se apoderarem da área. Mas a sabotagem proposital acabou sendo desmascarada e deu origem ao termo inglês False Flag, ou “bandeira falsa”, tão citado hoje em dia.
 
O termo remete à época das batalhas marítimas. Como todo navio leva a bandeira do país de origem, era comum que, para insuflar sua própria armada, uma embarcação hasteasse uma bandeira rival e fizesse um ataque surpresa a um navio amigo. Acreditando na veracidade do ataque – muitas vezes 'mal-sucedido' para não gerar baixas –, os soldados enraivecidos acatavam até as ordens mais radicais de seus superiores. A questão se tornou tão séria que hoje os códigos de guerra internacionais proíbem esse tipo de ataque.
 
Com o passar dos anos, a terminologia foi atualizada e passou a ser usada em outros contextos que não o militar, geralmente descrevendo uma ação forjada de um governo contra o povo de seu próprio país. O malévolo líder nazista Hermann Goering já dizia: “A maneira mais fácil de ganhar o controle de uma população é através da realização de atos de terror contra ela. A população vai clamar por tais leis, e por mais controle, se a sua segurança pessoal parecer ameaçada”.
 
Os “ataques de bandeira falsa” são tão eficazes que passaram a ser usados também pela comunicação oficial de governantes para justificar medidas que seriam de outra forma pouco deglutíveis pela população, por assim dizer. Essa estratégia se aproveita de ocasiões dúbias para criar um sentimento polarizado de 'nós contra eles’, atingindo grupos sociais, raciais, políticos. Conforme o imperador romano Júlio César, “dividir para conquistar” é sempre o método mais efetivo (para as mentes maquiavélicas...).
 
Em ano de eleição e de outros grandes eventos políticos, é vital estarmos atentos às diversas táticas de manipulação da opinião pública que serão amplamente utilizadas em 2018. Declarar-se alheio à política é um tiro no pé. Afinal, “o maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam”. (Arnold Toynbee 1852-1883).




« Leia outros artigos