QUEM LEU CONDENAÇÃO NÃO PODE AFIRMAR QUE LULA É PERSEGUIDO POLÍTICO SEM CORAR DE VERGONHA OU EXPOR VIGARICE por Rodrigo Constantino

Jefferson Severino - 14/07/2017 SC 01571 JP

QUEM LEU CONDENAÇÃO NÃO PODE AFIRMAR QUE LULA É PERSEGUIDO POLÍTICO SEM CORAR DE VERGONHA OU EXPOR VIGARICE
por Rodrigo Constantino 

 

100% daqueles que saíram em defesa de Lula ontem – e não foram muitos – sequer leram a peça condenatória assinada pelo juiz Sergio Moro. Se alguém do grupo leu e mesmo assim insistiu na “tese” esdrúxula de que se trata de um ato político, e não meramente criminal, então tem que ter corado de vergonha por mentir em nome da “causa”. Se leu, insistiu na mentira, e nem mesmo corou, então é caso de vigarice pura, de psicopatia até.

As mais de 200 páginas não deixam margem a dúvidas: as evidências, as testemunhas, as provas concretas abundam, pululam, lotam aquelas páginas. Lula é um marginal. E isso é fato mesmo para quem, por alguma loucura qualquer, ainda o enxerga como alguém preocupado com os mais pobres. Faz parte do jogo político tentar puxar a sardinha para seu lado, mas há um ponto em que isso é ultrapassado e se transforma na cumplicidade a bandidos.

Quando a sumida Marina Silva finalmente aparece para dizer, então, que a “Justiça nunca pode ser tomada como ato de vingança”, isso só pode ser interpretado como prova de que ela ainda é petista. Vingança? Quem falou em vingança? Boa parte do povo brasileiro, enganado, traído, roubado e massacrado gostaria de se vingar do maior responsável por isso tudo sim, e Lula correria o risco de ter o mesmo fim de Mussolini se circulasse por locais públicos hoje, em vez de se proteger em jatinhos particulares.

Mas isso não tem absolutamente nada a ver com a condenação de Moro, que o MPF considerou até suave demais, podendo inclusive recorrer para aumentar a pena. Prender Lula, portanto, não é um ato de “vingança”, como insinua sua ex-ministra hoje na Rede, e sim um ato claro de justiça. O lugar de bandidos é na cadeia, e não importa que seja alguém poderoso, ou que tenha sido presidente, ou que encante os “intelectuais” e artistas com sua narrativa igualitária.

Os principais jornais, cujos editores certamente tiveram que ler a condenação por ossos do ofício, emitiram opiniões embasadas hoje, que vão à contramão da ladainha dos que tentaram politizar o julgamento do ex-presidente. A Gazeta do Povo, por exemplo, afirma:

A primeira sentença judicial das inúmeras ações respondidas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desnudou com provas cabais um ato de corrupção e lavagem de dinheiro por ele cometido. Em pouco mais de 200 páginas, o juiz Sergio Moro refutou os questionamentos que a defesa do ex-presidente fazia sobre o julgamento, descartou seus álibis apresentados à Justiça e o condenou a nove anos e meio de prisão.

Olhando-se o conjunto de fatos trazidos na sentença – no contexto do que já veio à tona na Operação Lava Jato – fica cada dia mais claro que Lula era de fato o líder de uma organização criminosa. Embora esse não fosse o objeto dessa ação, fica patente que o ex-presidente tinha uma posição de liderança diante de outros membros de seu partido e diretores da Petrobras que orquestraram o desvio de recursos da estatal.

A sentença está calcada em provas documentais e depoimentos que permitiram à Justiça reconstituir de forma detalhada e inquestionável a narrativa da prática criminosa cometida por Lula. Era ele quem mantinha nomeados políticos que faziam a intermediação do pagamento de propina entre empresas e partidos políticos. E ele depois se beneficiou do dinheiro desviado.

Já o editorial do Estadão atesta sem rodeios também:

Já não recaem apenas suspeitas contra o sr. Lula da Silva, e tampouco ele é simples investigado ou réu. Ontem, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo relativo ao triplex do Guarujá. Mesmo reconhecendo que o comportamento de Lula poderia ensejar eventual decretação da prisão, em razão das suspeitas de tentativa de destruição de provas e dos vários atos de intimidação da Justiça, Moro permitiu que o ex-presidente recorra da sentença em liberdade.

Para o juiz, ficou provado que o líder petista recebeu R$ 2,25 milhões em propinas da empreiteira OAS. A sentença, que também condenou Léo Pinheiro por corrupção ativa e lavagem de dinheiro e Agenor Franklin Magalhães Medeiros por corrupção ativa, afirma que Lula da Silva praticou por três vezes, entre 11 de outubro de 2006 e 23 de janeiro de 2012, o crime de corrupção passiva e também por três vezes, de outubro de 2009 até 2017, o crime de lavagem de dinheiro. 

[…]

Diante do reiterado mau comportamento que Lula teve ao longo de todo o processo na primeira instância, com tentativas canhestras de politizar a questão penal e intimidar as autoridades, não se deve esperar arrependimentos repentinos. Reforça-se, portanto, a necessidade de que a Justiça, no caso específico o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4.ª Região, quando convocado para rever o processo, mantenha o condenado sob o peso da lei.

A ação penal de Lula da Silva não é um jogo político. Longe de ser uma questão de opção ideológica, o processo penal instaurado contra o ex-presidente petista manifesta a existência no Brasil de um Estado Democrático de Direito, com uma lei vigente e todos, absolutamente todos, respondendo por ela. Como disse o juiz Sérgio Moro ao final da sentença, “é de todo lamentável que um ex-presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados, e a culpa não é da regular aplicação da lei”. Que a Justiça na segunda instância continue a assegurar a regular aplicação da lei, também para os efeitos da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010). Faz muito mal ao País que corruptos se candidatem e tentem enganar o povo.

O editorial de O GLOBO, do grupo que vem adotando uma estranha postura diante dos últimos acontecimentos políticos no país, numa implacável campanha para derrubar Temer, considerou a condenação de Lula um “símbolo no combate à corrupção”, sem deixar de incluir o nome do atual presidente no texto:

Em uma fase da vida pública repleta de fatos históricos, por inéditos, ocorre mais um, com a condenação de Lula, a primeira de um ex-presidente. E numa coincidência inaudita: ao mesmo tempo em que um presidente no cargo, Michel Temer, é denunciado pela Procuradoria-Geral da República. Ambos por corrupção, e, no caso de Lula, punido também por lavagem de dinheiro. Coincidência feliz, porque reflete um forte enfrentamento deste crime de colarinho branco pelo Estado.

Esperada, devido à solidez das provas, esta condenação no processo sobre o tríplex do Guarujá, pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, base da Lava-Jato, é um marco neste ciclo de combate à corrupção por organismos de Estado, com grande respaldo na sociedade. Depois de ter passado incólume pelo mensalão, montado pelo lulopetismo no seu primeiro mandato, Lula não está conseguindo escapar do petrolão.

Até mesmo a Folha de SP, que tenta assoprar duas vezes para cada mordida, e que fez de tudo para politizar o julgamento, inclusive usando seu instituto de pesquisa para forçar um Moro candidato concorrendo contra Lula, não teve como negar o teor jurídico da condenação:

A esta altura, só grupelhos fanáticos ou militantes profissionais negarão a sangria descomunal de recursos da Petrobras —que não se daria em tal escala sem a conivência do primeiro escalão do Executivo— e a sem-cerimônia com que Lula manteve relações com as empreiteiras do esquema.

Diante de tudo isso, só mesmo quem não quis saber dos fatos para preservar a ilusão ou algum privilégio pode repetir que Lula é vítima de uma perseguição política. A narrativa é tão absurda, tão ridícula, tão esdrúxula, que se a pessoa disser uma coisa dessas e não ficar com as bochechas vermelhas de vergonha, recomendo ao leitor o afastamento imediato e a proteção da carteira no bolso: estará diante de um marginal ou um psicopata.

Rodrigo Constantino
Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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