A VENEZUELA É UM PAÍS (SOCIALISTA) SEM LEI - por Rodrigo Constantino

Jefferson Severino - 08/07/2017 SC 01571 JP

A VENEZUELA É UM PAÍS (SOCIALISTA) SEM LEI
por Rodrigo Constantino

 

E aconteceu novamente. Em seu editorial de hoje, O GLOBO fala sobre a crise venezuelana, constatando que o país já vive sob uma ditadura, e que a escalada da crise econômica e da violência vem destruindo a nação. Mas reparem num detalhe interessante: a palavra socialismo não aparece uma única vez!

Fica parecendo que é coisa da cabeça de Maduro, um tirano qualquer, ou de um tal de chavismo, que não teria ligação alguma com o “socialismo do século XXI” (lembram?). O principal responsável pelo caos é o sujeito oculto. Suas impressões digitais estão em todas as cenas do crime, mas o jornal prefere deixá-lo de fora. Faz como o biquíni: mostra quase tudo, mas esconde o essencial. Eis alguns trechos:

Ninguém mais duvida, a esta altura, de que a Venezuela vive sob um regime ditatorial. À medida que o apoio a Nicolás Maduro despenca, inclusive entre quadros históricos do chavismo, avançam na proporção inversa medidas de exceção, desrespeito às instituições republicanas e violação de direitos humanos, configurando um país sem a proteção da lei. Acuado, o presidente venezuelano se apoia nas Forças Armadas, no Judiciário aparelhado e na intimidação violenta por parte de milícias paramilitares e coletivos bolivarianos.

[…]

Em meio à crise política, à intransigência do presidente e à repressão contra a população, persiste o caos econômico. O FMI prevê que a taxa de inflação este ano será de 720%, ao mesmo tempo que o país sofre com escassez, racionamento, saques e altos índices de delinquência. Esta é a triste realidade no país de Maduro.

Agora, pergunto: não foi exatamente esse o destino previsto por liberais lá atrás, quando tantos “jornalistas” e (de)formadores de opinião ainda vibravam com o foco no “social” do governo Chávez? Não é esse o resultado inexorável de todos os experimentos socialistas, seja no século XX, seja no século XXI? Não foi assim em Cuba também?

Então qual a maldita surpresa?! Então por que não fazer o evidente elo entre socialismo e catástrofe? Por que fingir que a tirania veio do nada, e não como consequência inevitável dos meios adotados por Chávez e Maduro, com o apoio do PT e do PSOL? Por que não explicar aos leitores que a desgraça venezuelana é um efeito direto dos métodos socialistas adotados nos últimos anos?

Será que o slogan do jornal, “muito além do papel de um jornal”, quer dizer, na prática, que seu papel não é a informação, mas sim a propaganda ideológica, a desinformação? Pois só assim para compreender tanta omissão quanto ao verdadeiro culpado pela destruição do país vizinho mesmo…

Rodrigo Constantino
Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

FONTE: GAZETA DO POVO


 





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