AS DUAS PARTES DA LAVA JATO - por Eliéser Girão Monteiro Filho

Jefferson Severino - 07/07/2017 SC 01571 JP

AS DUAS PARTES DA LAVA JATO
por Eliéser Girão Monteiro Filho


 
Há uma distinta linha divisória na operação LAVA-JATO.
 
Uma parte é conduzida pelo juiz MORO, em Curitiba; outra pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, após a morte do ministro Teori, que, como o príncipe Jacintho Galeão, do romance As Cidades e as Serras, do grande Eça de Queiroz, morreu de fartura.
 
A Lava-Jato conduzida pelo juiz Moro segue uma linha técnica e implacável. Tem sido dura com tudo e com todos. Vale por um serviço de higienização da vida pública brasileira. Imaginem as pressões que sofre a equipe de Curitiba, composta pelo juiz, pelo ministério público e pela polícia federal, naquela comarca. Têm resistido com suprema galhardia a todas as invectivas.
 
O mesmo não posso dizer da Lava-Jato conduzida pelo supremo. Mandaram prender o então senador Delcídio Amaral, do PT, bem verdade. Mas também é verdade que esse senador ousou envolver ministro do supremo. Recordam-se? Isso ficou como uma espécie de aviso: Deixem de lado o Judiciário.
 
O Fachin é um homem talvez à esquerda do próprio PT, apoiador do MST e alegre e convicto apoiador da eleição de Dilma. Por ela foi guindado ao Supremo. Vejam os senhores que o Grupo Odebrecht levou cerca de um ano para fazer um acordo de leniência e de delação premiadas dos seus executivos, o que lhe custou ou talvez lhe custe a própria existência, além de pagar bilhões de multa ao governo. Dos cerca de 200 mil empregados do grupo, uns 100 mil ou mais perderam o emprego. O seu principal dirigente comeu uma cana doida em Curitiba e ainda vai ficar sob prisão, com tornozeleira eletrônica e restrições de toda ordem. O tratamento dado pelo Fachin ao Grupo Friboi foi melhor que hospedagem VIP ou voo de primeira classe. Mandou-os para um “purgatório” chamado New York. Quanta maldade do Fachin… Nem um proprietário do Grupo será processado nem o grupo sofrerá qualquer restrição, salvo o pagamento de mais de 200 milhões de reais. O Grupo Odebrecht cresceu 10 vezes no governo Lula! O Grupo Friboi, 40 vezes!!
 
Sob o comando do ministro Fachin e do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, também nomeado por Dilma, foi desencadeada uma operação contra o presidente da república. E isso é de uma ilegalidade tremenda. O Joesley foi a palácio para atiçar o presidente e ver se ele faria algum comentário comprometedor. Conseguiu um que, a meu ver, atenta contra o decoro. Essa operação, se ordenada pelo ministro e pelo procurador, é ilegal e não vale como prova. Eles sabem disso, mas sabem também que o escândalo político tem o poder de varrer a ilegalidade para escanteio. Se o tal Joesley foi lá por conta própria para depois apresentar a gravação, a ilegalidade da iniciativa raia pelo escândalo. Não se usa uma prova dessa contra qualquer cidadão comum, com mais razão ainda contra o presidente da república.
 
Tudo preparado, uma operação, sob os cuidados de um ministro do supremo e do procurador geral é vazada para a Rede Globo, que não dá os detalhes que estou dando acima e vende tudo como algo muito normal. Para piorar o quadro, misturaram coisas completamente distintas. Juntaram o problema do Aécio Neves, este sim, terrível, com a gravação do presidente da república, pegando-nos a todos de surpresa, deixando-nos pensar que tudo era um só problema. Misturaram a safadeza criminosa de Aécio com uma conversa, condenável, volto a enfatizar, do presidente com um empresário espertalhão. Criaram um clima político inconcebível e jogaram o país, que já se recuperava, em novo desespero econômico. A incerteza quanto à aprovação das reformas previdenciária e trabalhista levará o país de volta para a beira do abismo.
 
Tudo o que disse acima sobre a legalidade da operação e a possível esperteza do seu engendramento pode de nada valer ante o fato político já consumado, pois a política vive de confiança e expectativa das massas. O fato é que as ruas voltarão a se agitar.
 
Mas prestem atenção para ver quem promove a mobilização: PT, CUT, PCdoB, PSOL e correlatos.

Como dizia Ibrahim Sued, “Olho vivo que cavalo não desce escada”.

General Eliéser Girão Monteiro Filho





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