O ÚNICO “DIÁLOGO” ACEITÁVEL É ENTRE O RÉU LULA E A JUSTIÇA por Rodrigo Constantino

Jefferson Severino - 16/05/2017 SC 01571 JP

O ÚNICO “DIÁLOGO” ACEITÁVEL É ENTRE O RÉU LULA E A JUSTIÇA
por Rodrigo Constantino


 

A esquerda realmente não cansa de tentar impor sua narrativa patética, de que há um “confronto” entre forças no país, com Lula de um lado e a “direita” do outro, ignorando que Lula e toda a cúpula do PT são réus em diversos processos criminais. Tenta, ainda, misturar todos, como se os crimes dos petistas fossem da mesma natureza dos demais, “apenas” desvio de recursos e caixa dois.

Clovis Rossi, por exemplo, pode não merecer muito respeito por sua honestidade intelectual, mas precisamos admitir que o jornalista é insistente. Em texto publicado hoje na Folha, ele menciona Celso Amorim para defender a “tese” de que um diálogo entre FHC e Lula seria muito positivo para o Brasil, para “devolver a esperança” ao povo:

Amorim defendeu que ambos dialogassem, daí em diante, em torno de um único tema, a reforma política, com o objetivo precípuo de diminuir drasticamente a influência do poder econômico sobre as votações.

“Se não foi assim, haverá caixa 2, caixa 3, caixa 4”, suspeita o ex-chanceler.

[…]

Se chegarão a algum lugar, seja qual for, não está à vista, mas a ideia de “devolver a esperança ao Brasil”, cobrada por Amorim, é essencial.

E, para fazê-lo, parece indispensável que FHC e Lula tenham algum tipo de entendimento, porque, como diz o ex-chanceler, “cada um deles tem liderança que vai muito além de seus respectivos partidos”.

Um diálogo nesse nível seria essencial para um primeiro passo, o de reduzir o nível de crispação política entre tucanos e petistas –crispação estéril e histérica.

Permitiria que o cérebro prevalecesse sobre o fígado no debate político.

Ou seja, não só esse discurso finge que o único problema é o caixa dois, e não o projeto criminoso e totalitário do PT, que tomou o estado inteiro de assalto, aparelhou todas as instituições e tentou levar o Brasil na direção da Venezuela, como ignora que Lula não é liderança de ninguém além de cúmplices nesses crimes, devotos alienados ou marginais que desprezam a ética.

O único “diálogo” aceitável é entre o réu Lula e a Justiça. Rossi, com essa narrativa patética, faz coro ao próprio PT e encara o juiz Sergio Moro como um agente político, não um agente da lei que investiga crimes do ex-presidente. E também ignora que FHC tampouco goza dessa credibilidade toda, pois boa parte da população cansou da postura pusilânime, acovardada e até mesmo cúmplice dos tucanos.

Essa coisa de “reforma política” é papo para boi dormir nesse momento, é cortina de fumaça para ocultar a essência do problema: o lulopetismo. Atende à narrativa de que são todos iguais e que o problema é do sistema, nada mais. O sistema pode ser bem ruim, e é mesmo, concentrando muito poder no estado, um convite à corrupção. Mas o PT fez coisas muito piores, e só esconde isso quem no fundo é petista – ou trouxa.

Joel Pinheiro da Fonseca, no mesmo jornal, escreveu hoje um texto bem mais esclarecido, mostrando não só que essa narrativa de “confronto político” é uma farsa, como constatando que Lula está enrascado juridicamente falando, e por isso investe tanto na defesa política:

Não assisti às cinco horas do depoimento de Lula. Julgamento não devia ser espetáculo, então deixei o suplício aos jornalistas. Do que vi, o saldo pareceu bem claro: Lula está numa enrascada. Não respondeu nada, limitou-se a dizer que não sabia, mesmo com documento comprometedor em seu apartamento. Eram coisas de Dona Marisa…

E eis que para muita gente, pelo contrário, Lula se saiu bem. Mostrou a força de sua lábia, vendeu-se como vítima de um juiz partidário e mostrou força para voltar ao bom combate em 2018.

Há dois jogos simultâneos sendo jogados. O primeiro é o jurídico, segundo regras (espera-se) claras e bem definidas, e nesse Lula está inquestionavelmente levando a pior. Nada do que disse muda a força das provas contra si nem o limpa na estranha história do tríplex.

[…]

O outro jogo é o político. Nesse, não existem regras definitivas: tudo o que colar, tudo o que ajude a conquistar o poder, vale. Lula é um mestre brasileiro nessa arte, e está confiante de que, se chegar às urnas em 2018, escapa da prisão e ainda leva a Presidência. Dá mostras também de que aprendeu a lição dos mandatos anteriores: fará de tudo para aniquilar qualquer ameaça a sua posição, a começar pela liberdade de imprensa.

A polarização lhe cai como uma luva. Tudo que ele não quer é ser visto como o que de fato é: um réu comum, investigado por condutas possivelmente criminosas. Quanto mais seus processos forem vistos como guerra política com o paladino Sergio Moro liderando a investida, mais Lula se beneficia. Não é um julgamento; é um combate. Lula não é réu, e sim guerreiro, e teremos que escolher um lado. O ponto culminante dessa estratégia será entrar na campanha de 2018. Figurando na urna, o jogo muda. Nenhuma decisão jurídica poderá alegar isenção política, dado que terá impacto político direto.

A análise de Joel está perfeita, claro, e mostra o absurdo da proposta de Amorim, endossada por Clovis Rossi e tantos “isentões” por aí. Apenas ao PT interessa essa conversa mole de “reforma política”, “problema do sistema”, “conversa entre lideranças” e “sempre foi assim”. Está evidente que quem adota esse discurso pretende apenas mascarar o verdadeiro atentado que os marginais petistas fizeram contra nossa democracia.

Rodrigo Constantino
Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.





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